O mercado brasileiro de alimentos e suplementos alimentares tem atravessado um período de incerteza nos últimos anos. No entanto, vários fatores indicam o seu potencial de crescimento. Com uma população superior a duzentos e quinze (215) milhões, o Brasil possui uma vasta base de consumidores com elevado poder de compra, bem como uma classe média em crescimento. A procura dos consumidores é particularmente evidente em setores de nicho, como a gestão de peso. Os ricos recursos agrícolas e a biodiversidade do Brasil também permitem a incorporação de ingredientes locais, como o guaraná ou a erva-mate, em produtos de nutrição funcional; este é um excelente exemplo de valorização dos ativos naturais de um país.
O panorama regulamentar do mercado brasileiro de alimentos e suplementos alimentares foi reformulado para proporcionar clareza aos fabricantes e simplificar o processo de aprovação. A autoridade de saúde brasileira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), introduziu novos regulamentos em 2018 com o objetivo de harmonizar o enquadramento regulamentar dos suplementos alimentares.
De acordo com a Resolução (RDC) N.º 243/2018, os suplementos alimentares, designados por "suplementos alimentares" no Brasil, são descritos como produtos destinados a complementar a dieta de indivíduos saudáveis com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos, de forma isolada ou combinada. Os suplementos podem ser apresentados em várias formas farmacêuticas, tais como cápsulas, comprimidos, líquidos, pós, barras, géis, pastilhas e gomas de mascar.
No Brasil, o processo de registo de suplementos alimentares varia consoante fatores como a presença de alegações funcionais, propriedades de saúde, novos ingredientes e requisitos específicos.
Os alimentos e suplementos alimentares sem alegações funcionais e/ou de saúde na respetiva embalagem estão isentos de registo, de acordo com a RDC N.º 240/2018. No entanto, aqueles com alegações funcionais e/ou propriedades de saúde na embalagem, incluindo suplementos com enzimas ou probióticos, devem ser registados. Além disso, os suplementos alimentares com novos ingredientes também exigem registo.
No caso dos alimentos e suplementos alimentares isentos, as empresas devem notificar a ANVISA acerca das respetivas atividades de fabrico através da submissão da informação necessária. É realizada uma inspeção sanitária no prazo de sessenta (60) dias a contar da data da notificação, de modo a garantir o cumprimento dos regulamentos.
Por outro lado, os alimentos e suplementos alimentares registados têm de passar pelo sistema eletrónico de petição. A documentação, juntamente com a taxa exigida, deve ser impressa e submetida à ANVISA. De facto, as empresas estrangeiras não podem obter autorizações de introdução no mercado diretamente; devem ter representantes legais no país que assumam a responsabilidade pelos produtos importados e distribuídos.
Processo de Notificação
Para alimentos e suplementos alimentares isentos, as empresas precisam de seguir o procedimento de notificação. A obtenção da notificação do produto junto da ANVISA e o acompanhamento do seu progresso até à aprovação são processos virtuais que deve realizar online no site oficial da ANVISA.
Processo de Registo
O processo de registo de alimentos e suplementos alimentares envolve a disponibilização de informações relevantes sobre a empresa, a categoria de produto, a marca e o tipo de embalagem, bem como o cumprimento dos requisitos de segurança e eficácia. A aprovação do registo é válida por cinco (05) anos e pode ser renovada após a expiração.
Requisitos de Rotulagem
Os rótulos devem identificar claramente os produtos como "suplementos alimentares", seguidos das formas de apresentação e dos nomes individuais dos nutrientes, substâncias bioativas ou enzimas. Devem também incluir recomendações de utilização, instruções de armazenamento e advertências específicas, tais como "Este produto não é um medicamento" e "Não exceder a recomendação diária de consumo indicada na embalagem".
Conclusão
Por um lado, as alterações na regulamentação brasileira de alimentos e suplementos alimentares visam garantir a segurança do consumidor e, por outro, também apresentam desafios significativos para os fabricantes, uma vez que cumprir a complexa estrutura regulamentar estabelecida pela ANVISA pode ser uma tarefa árdua.
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