Freyr 3D Series · Medicamentos Órfãos na América Latina Um olhar estratégico sobre México, Brasil e Colômbia · Parte 2 · Brasil - Incentivos regulamentares e perspetivas 2025
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Nesta segunda edição da Freyr 3D Series | Medicamentos órfãos na América Latina, analisamos o quadro regulamentar do Brasil. Na primeira edição, explorámos o caso do México e, na próxima, abordaremos a Colômbia, com o objetivo de oferecer uma visão objetiva e complementar destes países da região.

Quadro regulamentar

No Brasil, o reconhecimento dos medicamentos órfãos baseia-se principalmente na Lei n.º 12.401/2011, que regula a integração de tecnologias de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS); na Resolução RDC n.º 205/2017 da ANVISA, que define critérios para a análise prioritária de novos medicamentos destinados a doenças raras; e no papel da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), entidade responsável por avaliar e recomendar a inclusão de novas tecnologias no sistema público. Este enquadramento legal reflete o esforço de integrar as doenças raras no SUS e assegurar que os respetivos tratamentos sejam avaliados não só numa vertente regulamentar, mas também em termos de cobertura e financiamento público da saúde.

O quadro regulamentar brasileiro é mais estruturado do que o do México em termos de processos formais, embora seja menos ágil. Embora garanta a disponibilização de novas terapias no sistema público, as decisões são frequentemente condicionadas por limitações orçamentais e processos de avaliação demorados. Isto significa que, apesar da clareza das etapas regulamentares, a velocidade de acesso pode ser afetada. Ao contrário da Colômbia, que possui um enquadramento legal mais precoce e sólido, o Brasil baseia-se na lógica do SUS, o que reforça a cobertura pública, mas acarreta fortes pressões ao nível da sustentabilidade.

Incentivos e benefícios

  • Revisão prioritária: visa acelerar a avaliação de novos medicamentos para doenças raras de elevado impacto.
  • Isenções ou reduções de taxas: reduzem parcialmente o encargo financeiro em determinadas situações.
  • Cooperação internacional (IPRP, PANDRH): fomenta a convergência regulamentar e permite tirar partido de experiências a nível global.
  • Diálogo prévio com a ANVISA: proporciona às empresas a oportunidade de reduzir a incerteza regulamentar antes da submissão formal.

Apesar dos incentivos disponíveis, as exigências da ANVISA relativas a medicamentos órfãos são extremamente rigorosas. O principal desafio para as empresas não se cinge à apresentação de um dossiê técnico completo, consistindo também em lidar com prazos de avaliação longos, na necessidade de demonstrar a viabilidade económica e em alinhar os requisitos técnicos com o modelo de cobertura do SUS. Estes fatores aumentam a complexidade do processo e podem atrasar a disponibilização dos tratamentos, mesmo perante evidências clínicas internacionais sólidas.

Requisitos técnicos

  • Apresentação de um dossiê completo em formato CTD/NeeS com dados de qualidade, segurança e eficácia.
  • Inclusão de evidências clínicas e pré-clínicas, mesmo que provenientes de estudos com populações reduzidas.
  • Cumprimento das normas de farmacovigilância do Brasil com um Plano de Gestão de Riscos adaptado ao contexto brasileiro.
  • Adequação de rotulagem e materiais de informação conforme as exigências da ANVISA.

Desafios

  • Custos elevados para populações reduzidas, que pressionam a viabilidade económica das terapias.
  • Evidências clínicas limitadas, que dificultam a robustez dos dossiês regulatórios.
  • Desafios de acessibilidade e reembolso, com pressões significativas devido aos altos preços, que impactam tanto os pacientes quanto os sistemas de saúde.

O papel de um parceiro estratégico

O sucesso em obter a autorização de introdução no mercado no Brasil e garantir o acesso oportuno dos medicamentos órfãos ao mercado depende de uma preparação regulatória antecipada: harmonização de dossiês, análises de lacunas e desenvolvimento de planos robustos de farmacovigilância no Brasil. Nesse caminho, a Freyr LATAM reúne experiência global e presença local para apoiar as empresas de forma rápida e eficaz.

Em síntese, o Brasil combina clareza regulatória e foco na saúde pública, mas enfrenta fortes restrições financeiras. Para a indústria, o desafio não é apenas obter a aprovação regulatória, mas garantir que a incorporação no SUS seja viável e sustentável ao longo do tempo.

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